Virunga (2014) – Netflix

Dentre todos os documentários que já assisti na vida, Virunga é o meu favorito. E eu acho que não sou a única, porque ele tem 100% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes!

O Parque Nacional de Virunga é uma área de preservação que fica no Congo e foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1979. É lar dos últimos gorilas-das-montanhas, espécie praticamente extinta por causa do tráfico e caça ilegal (poaching). Pra você ter uma ideia, hoje existem menos de 900 desses gorilas no mundo. Mesmo dentro de uma área protegida, eles continuam sendo caçados e ameaçados. Por isso os rangers, guardas florestais de Virunga, defendem esses animais com suas vidas. Literalmente.

Há poucos dias, no início de 2021, seis dos rangers foram mortos numa emboscada de uma milícia que opera na região. Em abril do ano passado, 12 guardas e 5 civis também foram assassinados por um grupo de rebeldes armados, no pior ataque da história do parque. Na última década, mais de 200 rangers morreram defendendo os gorilas. Sim, o problema é desse tamanho.



Eu nunca vou esquecer o que um dos guardas, Andre Bauma, respondeu quando perguntaram por quê ele se arriscava tanto pelos animais: “você tem que justificar a sua existência neste planeta. Os gorilas justificam a minha presença. Se precisar dar a vida, eu vou morrer pelos gorilas”. Essa frase de vez em quando volta na minha cabeça e, pra não esquecer meu propósito, me refaço a pergunta: o que justifica minha presença na terra? E o que justifica a sua?

Ah! Agora Virunga vai ganhar uma adaptação roteirizada pela Netflix, com produção do Leonardo DiCaprio e direção de Barry Jenkins (Moonlight e Dear White People).

Bônus:

Vai presentear alguém especial, mas não sabe o que comprar ou não quer dar uma coisa material? Você pode adotar um gorila órfão em nome dessa pessoa! Eu sei que tá todo mundo apertado, mas você pode escolher a quantia que deseja doar, e acho que vale dar essa ideia pra quem tiver uma reserva no porquinho ou quiser juntar uns amigos pra dar um presente em grupo!

A pessoa presenteada recebe um certificado de adoção, tem acesso ao dia a dia do santuário e também recebe updates com fotos do seu gorila. Bem mais legal do que ganhar outra camiseta!

5/5

 

David Attenborough: A Life on Our Planet (2020) – Netflix

 

Sir. David Attenborough é um apresentador, locutor e naturalista britânico. Ele é reconhecido por ter “trazido o mundo natural pra dentro das nossas casas” com sua série documental “Life on Earth”, de 1979, que foi revolucionária em termos de técnica e escala.

Em maio, Attenborough faz 95 anos – mas a idade não o impede de ser amado pelas novas gerações. Ele é a personalidade que alcançou 1 milhão de seguidores mais rápido no Instagram, apenas 4 horas depois de postar a primeira foto. Superou Jennifer Aniston, Príncipe Harry e até o Papa. Como ele não curte muito rede social, criou a conta temporariamente só pra explicar sobre seu novo doc e dar alguns recados. E todo mundo parou pra ouvir.

Isso porque se tem alguém que viu um antes x depois da Terra, é David Attenborough. Ele documentou por anos inúmeras descobertas e maravilhas da natureza, mas também testemunhou todos os danos que causamos. Pensa só: desde que ele apresentou seu primeiro programa de TV, o número de pessoas vivendo no planeta aumentou 3 vezes.

Mas, aos 94, esse senhorzão tá longe de se aposentar: Attenborough sempre se descreveu como naturalista (um observador e apreciador da vida selvagem) mas hoje se posiciona como ativista porque entende que se não tomarmos uma atitude em relação à crise climática, logo não teremos nada para admirar. É essa mensagem de conscientização e de ação urgente que ele passa no novo documentário produzido pela WWF e Silverback Films pra Netflix. E por mais difícil e doloroso que possa parecer, o filme é lindo, esperançoso e suave – no melhor estilo de Attenborough.

 

 Bônus:

Viu o documentário e curtiu? Se apaixonou pelo Sir. David? Então você não pode deixar de assistir a série Our Planet (2019), também narrada por ele e disponível na Netflix. Eu costumo deixar os episódios rolando “ao fundo” enquanto faço outras coisas porque a voz dele é muito gostosa de ouvir e as imagens são alucinantes.

Também vale à pena ver e compartilhar com os amigos o mini vídeo “O conselho que Attenborough precisa que você ouça”. Num recado bem direto, ele mostra o melhor caminho pra gente salvar o planeta – e a nós mesmos. Spoiler: começa com “vega” e termina com “ismo”!

5/5

 

Cowspiracy: The Sustainability Secret (2014) – Netflix

 

Com um tom de denúncia, Cowspiracy revela a agropecuária como uma indústria criminosa, responsável pela maior parte do desmatamento, poluição e destruição sistemática do nosso planeta. O doc também investiga porque ONGs e entidades costumam se calar quanto a esse assunto, omitindo as consequências ambientais do consumo de carne.

Cowspiracy é uma aula super informativa e didática, cheia de infográficos e pesquisas. Ele te traz dados básicos e fáceis de entender, mas que vão fazer toda a diferença na hora de você formar sua opinião e pensar em soluções pro nosso futuro! Informações no estilo “o cultivo de ração pro gado consome 56% da água dos EUA”. Viu? Simples, direto e um tanto quanto impactante.

Mas, apesar do assunto ser pesado, o documentário também consegue ser bem humorado e inspirador. Acho que todo mundo deveria assistir. Todos os dados citados no doc estão disponíveis no site Cowspiracy pra serem consultados, analisados, revistos, averiguados… e isso é muito importante, porque só com informacões transparentes e fontes acessíveis é que temos autonomia de pesquisa – e é ela que nos permite questionar “verdades absolutas”, entender a realidade e pensar em soluções.

Bônus:

O Instagram do documentário é tão bom, completo e rico em informações quanto o filme! 

Conteúdo bonito e prontinho para você salvar, relembrar e compartilhar com todo mundo.


5/5

What The Health (2017) – Netflix

Motivados pelo mega sucesso de Cowspiracy, três anos depois a dupla de cineastas decidiu produzir o documentário What The Health.

Ele segue o mesmo estilo de investigação e denúncia (adoro, bem direto) mas dessa vez focam mais na saúde e um pouco menos na questão ambiental. O objetivo do doc é mostrar como as grandes farmacêuticas, a indústria agropecuária e até o Estado (na forma do sistema de saúde) são muito mais próximos do que imaginamos e fazem um lobby pra basicamente encobrir o fato de que o consumo de carne e laticínios é ruim pra gente – e continuarem lucrando.

What the Health ficou conhecido como o documentário “que as organizações de saúde não querem que você veja”.

Ah, olha só: você não precisa concordar e nem tomar tudo que é dito como verdade absoluta. Eu questionei alguns detalhes e dei uma pesquisada pra formar minha própria opinião. O bom é que os produtores facilitam isso (como fizeram em Cowspiracy) e no site do doc você pode checar todas as fontes, estatísticas e estudos citados, organizados até pelo minuto em que aparecem no filme.

Bônus:

Foi pelo What The Health que eu descobri o Doutor Milton MIlls, um médico intensivista que virei muito fã e passei a acompanhar as palestras, trabalhos e etc. No documentário ele responde algumas dúvidas super comuns sobre alimentação à base de plantas de forma bem clara e didática. Dois exemplos:

Leite faz mal? Aos 26:20 minutos Dr. Mills explica a relação entre laticínios e doenças autoimunes, e aos 27 minutos esclarece que todos os humanos tem, por natureza, algum nível de intolerância à lactose.

Mas e as proteínas? O Dr. Mills dá um show quando explica que todas as proteínas vêm das plantas. A maioria das pessoas nunca se deu conta disso, mas quando comemos animais só estamos “terceirizando” a ingestão desse macronutriente. Você pode checar a explicação à 1h 05min do doc ou ver esse trecho das proteínas direto nesse vídeo aqui.

5/5

  

The Game Changers (2018) – Netflix

 

Cuidado: alto risco de você terminar o documentário com muita vontade de tomar uma vitamina de couve, banana, Naveia (e tudo que há de bom) e ir direto tentar correr uma maratona.

The Game Changers simplesmente derruba o mito de que os veganos são fracos e mostra como na verdade uma alimentação à base de plantas pode aumentar muito o rendimento, a performance e o desempenho físico dos atletas – e a saúde de todos nós, em geral!

Pra provar isso, James Wilks, um treinador de forças militares especiais e lutador do UFC, viaja pra conhecer atletas de elite (de todos os tipos, do maratonista até o halterofilista), soldados de operações especiais, médico e cientistas que vivem e estudam esse estilo de vida. Wilks percebe que muito do que aprendeu durante a vida sobre força, carne, proteínas e músculos é questionável.

Pra você ter uma ideia, até o Arnold Schwarzenegger é entrevistado e ele dá um dos depoimentos mais maneiros do documentário, explicando que só descobriu bem mais velho que masculinidade e força muscular não têm nada a ver.

Outras dezenas de personalidades e atletas profissionais veganos são entrevistados, como Lewis Hamilton (meu crush) e Patrick Baboumian, o homem mais forte do mundo. Sim, o homem mais forte do mundo só come plantas. Quando perguntam como ele consegue ser tão forte sem comer proteína animal, ele responde “por acaso você já viu um elefante, um gorila ou um rinoceronte comendo carne?” 

 

De novo, você não precisa concordar com tudo e pode fazer sua própria pesquisa! O site do documentário é recheado de informações e essa página responde as dúvidas mais frequentes. E essa outra página é inteira dedicada a falar sobre as proteínas.

Mas sério, The Game Changers é muito legal. Muito inspirador, a trilha sonora é demais, a abordagem é bem prática e os exemplos são de pessoas verdadeiras. A conclusão é que a alimentação à base de plantas é o combustível limpo que nosso corpo precisa.

Nessa página do site você pode conhecer todos os atletas, pesquisadores, doutores e personalidades que participaram do documentário.

Bônus:

Os especialistas montaram um programa pra quem quer – mas não sabe como – aderir a esse estilo de vida. Você pode se inscrever aqui pra receber conteúdo gratuito (em inglês) com receitas, planejamento de refeições, dicas de como cozinhar, como e o que comprar no mercado, do que pedir quando for jantar fora, etc. Aproveita e cadastra o e-mail do amigo pra indireta chegar na caixa de entrada dele!

5/5

 

My Octopus Teacher (2020) – Netflix

 

É um documentário lindo, emocionante e, ao mesmo tempo, bem humorado e leve. Eu fiquei muito encantada com as cenas, vi a natureza de uma forma que não é mostrada normalmente, achei tudo muito mágico. O filme agrada a todos (pode chamar a família toda pra assistir) porque tem um estilo bem diferente: é um documentário, mas com um enredo suave de cinema.

My Octopus Teacher mostra a amizade entre um homem e um polvo fêmea (polva?).

E quando eu digo “mostra”, é porque na verdade você não precisa muitas palavras pra entender o que acontece. As imagens do documentário são riquíssimas e a narração do mergulhador e fundador do Sea Change Project, Craig Foster, entra pra complementar com o que é essencial de ser dito. É pura poesia e é mais fascinante do que muita ficção.

Quase não dá pra perceber o cunho ambiental do documentário porque você está acompanhando o dia a dia da polva, mas você termina de assistir com a certeza de que nosso planeta é incrível, que todas as criaturas precisam ser protegidas e que até um polvo, um ser tão diferente dos humanos, pode criar uma conexão conosco e nos ensinar muito sobre a vida.

Bônus:

Você sabia que às vezes o polvo anda no fundo do mar? Sim, ele coloca dois tentáculos na areia e dá uma caminhada. Como bípede! Eu descobri isso no doc – a cena é muito engraçada – mas você pode ver um exemplo de um polvo andando nesse vídeo aqui.

5/5

 

Mission Blue (2014) – Netflix

 

O documentário conta a história de Sylvia Earle, uma bióloga e exploradora marinha, hoje com 85 anos. Ela terminou o colégio com 16 anos, se graduou com 19 e concluiu o mestrado aos 20 – se hoje isso é difícil, imagina naquela época? Sua carreira como pesquisadora inclui mais de 70 expedições e quase 7 mil horas debaixo d’água.

Assim como Attenborough, Earle viu a natureza ser transformada (pra não dizer destruída) pela ação humana num curto espaço de tempo e bem diante de seus olhos. Por isso, a cientista e ambientalista passou a dedicar seu meio século de carreira à defesa dos oceanos.

O documentário, ao mesmo tempo em que conta a trajetória incrível de Sylvia, denuncia o que está acontecendo com a vida marinha – e nos explica de forma bem clara porquê ela é tão importante pro equilíbrio de todo o planeta.

Bônus:

De vez em quando a Mission Blue promove alguns Webinars bem legais no seu canal do YouTube. O último aconteceu agora, dia 10 de fevereiro, com Craig Foster – sim, o cara de My Octopus Teacher!

Esse Ted Talks da Sylvia Earle de 2012, quando ela ganhou o TED Prize Wish, é inspirador. Que mulher, né?

5/5

A última dica é um documentário bem curtinho (só 13 minutos) que é imperdível. Ele não tá na Netflix, mas isso não é um problema porque você só precisa clicar num link pra assistir. Acesso mais rápido e democrático do que por qualquer plataforma.

 

Akashinga: The Brave Ones (2020) – YouTube

Akashinga é uma equipe formada por 170 mulheres veganas do Zimbábue que recebem treinamento administrativo e militar pra proteger elefantes, rinocerontes e outras espécies africanas contra a caça ilegal (poaching). Sim, é isso mesmo que você leu. É incrível.

Elas foram recrutadas em 2017 pela International Anti-Poaching Foudantion, fundada pelo ex-soldado australiano Damien Mander – que inclusive aparece no The Game Changers. Quase todas essas mulheres foram violentadas durante suas vidas e marginalizadas em suas comunidades. O trabalho na unidade de Akashinga – que é remunerado – possibilitou que elas se sustentem, mandem seus filhos pra escola, terminem sua educação, construam suas casas e sejam independentes. Além de muito, muito maneiras.

O mini documentário foi produzido por James Cameron e pela National Geographic Documentary Films. Você pode assistir ele no canal da NatGeo no YouTube, nesse link aqui, ou nessa página do site da International Anti Poaching Foundation.

Bônus:

Pra desenvolver uma cozinha de acampamento vegana “no meio do nada”, Damien Mander chamou Nicola Kagoro, criadora do movimento African Vegan on a Budget, que tem como objetivo provar que a dieta vegana é barata, saudável e capaz de saciar, o que pode ajudar muito as comunidades africanas carentes.

Juntos, eles fundaram a Akashinga Back to Black Roots Vegan Kitchen and Garden. O nome “Back to Black Roots” (de volta às raízes pretas) se refere ao tipo de dieta baseada em vegetais que existia na África rural antes dos ocidentais introduzirem a pecuária comercial. Vale muito à pena ler essa reportagem “Como o vegetarianismo está voltando às suas raízes na África”, do The Guardian. Nela, Kagoro diz que “nossos ancestrais não comiam muita carne. Foi através da colonização que aprendemos essa prática maluca”.

Pra gente pensar, né? A @thecanadianafrican e a @plantbased_african são duas mulheres que eu adoro acompanhar. Elas falam sobre esse assunto e compartilham receitas africanas típicas e veganas!

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.