Dia 1° de Novembro é o Dia Mundial do Veganismo, e aqui você encontra alguns acontecimentos que marcaram o movimento, no último ano.

 

Pois é, esse dia existe, e, desde 1994, o início de Novembro marca essa data comemorativa internacional. Para muitos, o simples fato de existir um Dia Mundial do Veganismo anualmente já é motivo para celebrar o alcance, cada vez maior, desse movimento pelo bem. Mas os avanços são tantos que, ao invés de celebrar um dia, vamos celebrar o que aconteceu nos últimos 365 dias. Então, faz um churrasco de berinjela, uma maionese de aquafaba ou um milkshake de açaí, e vem conferir o que as pessoas já fizeram por um mundo melhor.

 

Veganismo como vantagem esportiva

A temática vegana já se apresenta em filmes, há muito tempo, mas com o crescimento da preocupação das pessoas por um meio ambiente mais protegido, uma relação mais ética com os animais, e uma população mais saudável, vimos o mundo do entretenimento oferecer informação e grandes inspirações para quem procura, como foi o caso do documentário Dieta de Gladiadores (com nome original de The Game Changers).

 

Mesmo que o filme tenha sido lançado em 2018 e chegado no Brasil em Outubro de 2019, aqui, a repercussão que ele gerou começou no final do ano passado e se alastrou por boa parte de 2020.  Afinal, com nomes na produção como James Cameron, Arnold Schwarzenegger, Jackie Chan, Lewis Hamilton, Novak Djokovic e Chris Paul, já poderíamos esperar, no mínimo, uma curiosidade massiva no enredo. O filme mostra atletas campeões de alta performance usando a ciência para quebrar mitos sobre a alimentação sem produtos de origem animal, e fez com que muitas pessoas enxergassem a dieta vegana como um ganho para a saúde e uma vantagem em competições esportivas.

 

Um Oscar mais vegano para todos

Enquanto algumas celebridades promovem o veganismo como ferramenta para alcançarmos melhores resultados no nível pessoal, outras o fazem para fazermos as pazes com o planeta, como foi o caso do emocionado e inspirador discurso do Joaquin Phoenix, ao ser premiado com o Oscar de melhor ator. Ele foi aplaudido diversas vezes, enquanto falava sobre especismo e como a humanidade tem o potencial de fazer do mundo um lugar bom e justo para todos os seres que nele habitam. Além disso, o cardápio do almoço dos nomeados foi completamente à base de vegetais, como estratégia para reduzir a pegada de carbono do evento.

 

A política que cuida

No cenário político, assistimos médicos que protestaram nos Estados Unidos pedindo a remoção de laticínios do guia alimentar americano, que servirá para orientar cidadãos e organizações entre 2020 e 2025. O painel de especialistas recrutados para o guia entregou um relatório que utilizou os mais recentes estudos para determinar que as pessoas deveriam evitar gordura saturada e colesterol, presente em produtos de origem animal, além de carnes vermelhas e processadas. O relatório recomenda a mudança para uma dieta à base de vegetais, rica em fibras e carboidratos para evitar doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. É importante perceber que esse movimento acontece no país que, além de ser o que mais consome carne no mundo, é o terceiro maior consumidor de leite.

 

Enquanto isso, no Brasil, o guia alimentar oficial já diz que produtos de origem animal não são necessários para uma vida saudável, e reconhece a ligação entre a agropecuária e as alterações climáticas. Mas é importante perceber que comida não é tudo para o veganismo, e, recentemente, uma nova conquista foi alcançada com o aumento da punição para maus tratos contra cães e gatos. Os criminosos, agora, enfrentam a possibilidade de passar até cinco anos presos, além de pagar multa. Alguns passos são maiores que os outros, e mesmo que uma medida como essa venha só em 2020, é importante perceber que estamos caminhando para um futuro mais justo para todos que compartilham o planeta.

 

A economia como um pilar do veganismo

O mundo dos negócios também tem um grande aliado na extinção de produtos de origem animal, já que o mercado consumidor cria uma demanda que cresce junto com a conscientização da sociedade. Além de grandes marcas internacionais como Danone, Domino’s Pizza, McDonald’s, Burger King, Starbucks e muitas outras investirem pesado em produtos veganos, grandes nomes nacionais também se destacam com sua capacidade de aliar tecnologia a uma boa leitura do mercado.

 

A Seara criou uma linha inteira de produtos com carnes vegetais, seguindo a tendência liderada pela carioca Fazenda Futuro, que veio para mudar conceitos, desde sua chegada no mercado em 2019. Em pouco tempo, as carnes do futuro dominaram o presente para consertar o passado, e fizeram parcerias com o Spoleto, Bob’s e vários outros restaurantes, além de ocupar, cada vez mais, espaços nos supermercados com novas variações vegetais, incluindo linguiça de pernil e frango. Mas, talvez, o mais surpreendente seja o fato da empresa brasileira entrar no mercado internacional sem tocar a campainha. Os produtos já estão em outros países da América Latina, na Europa, na Ásia, e estarão, ainda em 2020, nos Estados Unidos com preços que competem não só com empresas de carnes vegetais já estabelecidas (como a Beyond Meat e a Impossible Foods), mas com o verdadeiro concorrente: as carnes animais.

 

E já que toquei no assunto dos reais concorrentes, preciso falar da indústria do leite de vaca, que tem perdido mercado consistentemente. Nos Estados Unidos, 17% das vendas de todos os tipos de leite já são dos leites vegetais, e representam mais de 2 bilhões de dólares. Além disso, pela primeira vez, o leite de aveia assume a segunda posição no ranking das diferentes opções que deixam as vacas em paz, mostrando um aumento maior, ano após ano. Não por coincidência, mas por consequência das preocupações com alterações climáticas, já que o leite de aveia é o que menos impacta negativamente o ambiente, dentro de todas as opções no mercado. E com a utilização de novas tecnologias, o produto já é capaz de não só servir como um substituto ao leite animal, mas uma evolução dele.

 

Hoje, cerca de 14% da população mundial são veganos ou vegetarianos, e o veganismo já é considerado o movimento que cresce mais rápido, no mundo todo. Seja por motivos ambientais, econômicos, sociais ou morais, ser vegano é uma ferramenta para consertarmos nossa participação no planeta. Devemos agir e deixar de perguntar se a Terra existirá no futuro, porque a questão é se a humanidade fará parte dela.

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