O mar não está pra peixe pra quem anda solteiro.

Sejamos justos: nunca esteve. Dar aquele match em alguém que não tem graves neuroses, é gente fina, se alinha com seu estilo cinematográfico, passou na sua peneira política, é bom de playlist, e está no mesmo fuso horário que você – socorro, é um super processo seletivo.

E de uns anos pra cá, é possível perceber que esse recrutamento que já era desafiador somou mais um item na linha de corte de muita gente: alimentação. A lista de possíveis incompatibilidades é longa: tem a turma low cal, tem a low carb, tem o pessoal do jejum intermitente, tem o grupo das alergias e o das intolerâncias. Se qualquer almoço em família exige um cardápio polivalente com  clima de buffet de navio, dá pra presumir que as chances de cravar certinho no partido gastronômico do crush são mesmo pequenas.

Mas um dos grupos que mais provoca dúvidas e reflexões é justamente o que extrapola o assunto “alimentação”: sim, acertou quem pensou nos veganos. “Do que vivem/ como se alimentam/ onde moram/ o que fazem?” é a piada pronta toda vez que o veganismo é examinado por um observador não-vegano.

E se você e seu crush frequentam panelinhas diferentes nesse dilema romântico-social-ambiental, a boa notícia é que não há motivo para pânico. Se até o casal Shakespeariano goiabada com queijo (ela, vegana e ele não-vegano) conseguiram formar esse par que todos adoramos shippar, tenhamos otimismo e fé que sim, existe amor inter-alimentar. Esse artigo pode ser entendido, inclusive, como item de utilidade pública nesse já tão árido campo da paquera. Pega sua pipoca (feita na manteiga de coco, por favor) e lê com atenção essas 4 dicas para um bom date com um vegano:

1.

A gente não quer só comida.

Complete comigo: “a gente quer comida, diversão e arte” – tá, estou ressignificando o verso dos Titãs (que certamente não estavam falando de veganismo) só para ilustrar o óbvio: sim, veganos têm outros assuntos de interesse! Nem todo mundo precisa ser conquistado pelo estômago – e isso pode, inclusive, render pontos no quesito originalidade. Praia, banco de praça, carteado, passeio de canoa, partida de frescobol: vale lembrar que um date é só um evento-pretexto pra bater um papo enquanto as duas partes teatralizam que estão fazendo outra coisa.

2.

Evite a palestrinha

Veganos costumam ser apaixonados pelo tema veganismo. Primeiro porque existem diferentes razões que levam alguém a se tornar vegano (sendo a compaixão animal um grande motivo, mas tá longe de ser o único). Segundo porque, uma vez tomada, essa é uma decisão que invade e altera um monte de hábitos ao mesmo tempo. E terceiro porque tanto os motivos quanto os hábitos podem esbarrar em questões mais densas – envolvendo crise climática, política, consumismo, ativismo – enfim. É claro que todos esses são temas fundamentais, mas se não quiser que a conversa seja desvirtuada pra um sub-assunto que flerta com o apocalipse, melhor evitar o clima de entrevista.

3.

Um abajur cor de carne

“Menina veneno” foi a musa-título de uma música que, nos anos 80, sensualizava sob a luz de um abajur cor de carne (há quem diga que o certo seja “cor de carmim” e a internet é pródiga em oferecer fóruns de discussão até sobre isso). Polêmicas fonéticas à parte, dá pra desconfiar que mesmo os comedores de carne tenham sentimentos controversos sobre essa cena. Porque, convenhamos, fica puxado manter o clima romântico debaixo da luz de um bife cru. Ou, em outras palavras, não dá pra sexy sem ser vulgar com uma analogia à carne no meio.

E essa é uma das poucas reclamações dos veganos sobre dates que dão errado: beijar alguém que acabou de encarar um hambúrguer mal passado / um patê de fígado de ganso / um prato de carpaccio é, sim, fator eliminatório. E nem vale a pena tentar disfarçar com chiclete e balinha: lembre-se que os veganos adquirem um paladar ultra apurado.

4.

Açaí guardião

Esse foi o hit parade numa recente pesquisa informal feita no Instagram que perguntava “o que fazer num date vegano?”. Logo depois do açaí, vieram guacamole e, claro, bons drinks. Todos servem pra lembrar que tem um monte de sabores disponíveis e que moram na interseção dos corações de veganos e não veganos.

Em resumo (e como pra tudo na vida), vale o bom senso: tentar achar o terreno comum aos dois pode até ser a melhor parte de conhecer alguém novo. E se o mar não está pra peixe pra quem anda solteiro, talvez esse seja o empurrão que faltava pra experimentar um outro ambiente de caça – vai que a horta anda mais fértil 🙂

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