O Capitão Paul Watson disse que “se os oceanos morrerem, nós morremos”, e precisamos entender o porquê disso para agirmos.

 

Já parou para pensar que chamamos nosso planeta de Terra, quando mais de 70% da superfície dele é coberta por água? A visão antropocêntrica da nossa sociedade criou uma cultura onde o planeta existe para servir ao ser humano. Afinal, somos animais terrestres e precisamos de terra sob nossos corpos bípedes para andar e desenvolver as mais variadas tarefas que nos mantém vivos. Também gostamos de comparar sistemas complexos ao corpo humano como um artifício para simplificar o entendimento. Um exemplo disso é quando dizemos que a Amazônia é o pulmão do mundo. Mas enquanto somos ótimos em personificação, tiramos zero na aula de biologia que apresenta dois pulmões como parte do nosso sistema respiratório. Então, precisamos falar sobre nosso outro pulmão, e porque nosso planeta deveria se chamar Oceano.

 

Desde cedo, aprendemos que inspiramos oxigênio e expiramos gás carbônico, enquanto, através da fotossíntese, as plantas utilizam gás carbônico e produzem oxigênio, criando uma matemática perfeita, onde um produz o que o outro precisa. E enquanto olhamos para a Amazônia e outras imensas áreas verdes à distância, negligenciamos os oceanos, que formam a maior cobertura com capacidade fotossintética do mundo, graças à minúsculos organismos chamados de fitoplâncton. E a importância dessas criaturas microscópicas é inversamente proporcional ao seu tamanho, já que mais da metade do oxigênio que você respira vem delas.

 

Muitas vezes, oceanos são fundamentais para decidirmos o destino das férias ou como pano de fundo em uma cena de novela, mas também precisamos entender a importância que eles têm para a nossa sobrevivência, e começarmos a conhecer os desafios que eles enfrentam. Um deles é o lixo marinho, que, simplesmente, é o que foi descartado por alguém de forma irregular e foi parar na água. A maior parte do lixo marinho não é descartada diretamente nos oceanos, mas, normalmente, são levados até eles pelo escoamento das chuvas, pelo curso dos rios ou pela ação do vento. Esse processo ajuda a fragmentar o lixo, mas ao contrário do que muitos pensam, isso não é bom. Os fragmentos, cada vez menores, são mais facilmente ingeridos pelos animais marinhos, dos pequenos camarões às baleias gigantes. Assim, o lixo que nós produzimos vai parar na cadeia alimentar, contaminando e matando ecossistemas que já estão fragilizados por uma outra grande ameaça: a sobrepesca.

 

Além da falta de simpatia e identificação com animais marinhos, o crescente apetite da nossa imensa população estimula a frota pesqueira mundial a invadir áreas protegidas atrás de espécies que já foram profundamente exploradas em outras regiões. Para atender à demanda por “frutos do mar”, cada vez mais barcos varrem os oceanos de forma cada vez menos seletiva, e o resultado é o que é chamado de captura “acidental”. Esse termo é usado para se referir às espécies que são capturadas, mas não são o alvo específico de uma determinada pesca. Normalmente, o processo de captura mata os animais, e o que não vai para o frigorífico das embarcações, é jogado sem vida de volta na água. E não é só isso que fica para trás.

 

No processo de retirar animais do mar, petrechos de pesca são, frequentemente, perdidos ou abandonados, fazendo com que haja a chamada pesca fantasma. Isso ocorre quando animais ficam presos em redes ou outros equipamentos de pesca que não estão mais em uso e morrem, criando um círculo vicioso onde animais mortos atraem outros animais que acabam por morrer da mesma forma. A pesca fantasma é duplamente ameaçadora para os oceanos, pois além de capturar, aleatoriamente, diversos animais, contribui para o problema do lixo marinho.

 

Com tantas ameaças que os oceanos enfrentam, algumas pessoas começaram a considerar a criação de peixe uma alternativa “sustentável”, mas será que isso faz mesmo sentido? Para começar, muitos peixes que fazem parte dessas criações são alimentados com outros animais que foram capturados fora delas, então a pressão sobre os oceanos ainda existe. Em alguns casos, ela é ainda pior, pois utilizam mais peixes capturados do que uma criação consegue produzir. Além disso, esses sistemas de aquacultura pequenos e superlotados funcionam como criadouros de patógenos, onde os peixes contraem doenças e desenvolvem deformações. Infelizmente, é comum encontrarmos ecossistemas marinhos pouco diversos e muito doentes por conta desses patógenos que escapam das criações e contaminam o ambiente ao seu redor.

 

O desenvolvimento da consciência e atitudes individuais é o que cada um de nós pode fazer para garantir que nossos pulmões continue nos mantendo vivos. Lembre-se que o mar começa onde quer que você esteja: na beira da praia ou no alto da montanha, no meio da rua ou até mesmo dentro da sua cozinha.

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1 comentário

  1. […] De um lado, pessoas, empresas e governos correm atrás de lucro a qualquer custo. Do outro, um delicado sistema que mantém a vida como conhecemos possível no nosso planeta. E, enquanto a ganância avança a passos largos tentando sufocar o oceano, os defensores da vida […]

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